Não, os Irmãos Grimm não ressuscitaram... Aliás, pensando bem, nunca deixaram de andar por aí, nas histórias a que tantas vezes voltamos. Por estes dias, os seus contos estão num palco de Lisboa. Uma escolha de Helena Melo para a página Crianças da edição do Público de hoje.
Um
espectáculo de marionetas, máscaras, projecções de vídeo e teatro de sombras
sobre as aventuras dos famosos contadores de histórias Irmãos Grimm – de quem
se comemora este ano o 200.º aniversário da publicação do primeiro livro de
contos. Ao palco sobem personagens como o Capuchinho Vermelho, o Príncipe Sapo,
o Ganso dos Ovos de Ouro ou a Bela Adormecida. Grimm é uma co-produção Teatro Alardiário e Companhia Teatral do
Chiado, com autoria e encenação de Ricardo Bargão. Maiores de 6.
Lisboa
Teatro-Estúdio Mário Viegas (ao Chiado). Tel.: 213257652/929422513; dom.
às 15h. 2ª a 6ª às 10h30 e 15h (grupos). Bilhetes a 10 euros (5 com Cartão
Espectador)
As nossas recomendações de leitura para a mesma página foram as que se seguem.
O Homem da Lua
Texto
e ilustração Tomi Ungerer
Tradução
Sara Reis Silva
Edição
Bags of Books
40
págs., 14 euros
Vivendo
encolhido na Lua, o único homem que ali morava sonhava em descer à Terra e
dançar. “A vida cá em cima é tão aborrecida”, lamentava-se. À boleia de uma
estrela cadente, conseguiu o que queria. Mas depois de aterrar ainda sofreu
muitas angústias até que lhe fosse permitido dançar livremente. E por pouco
tempo. Foi preso, perseguido e teve de se esconder, acabando por regressar “ao
seu lugar cintilante”. Uma história inteligente, irónica e denunciadora dos
muitos absurdos que se passam “cá em baixo”, na Terra. O livro venceu o Prémio
Hans Christian Andersen em 1998 e é de um autor, Tomi Ungerer, multifacetado
(com trabalhos em publicidade, arquitectura, design), de 80 anos, cheio de
talento e energia. Há um museu dedicado à sua obra em Estrasburgo, cidade onde
nasceu.
O Rapaz sem Orelhas de Burro
Texto
João Manuel Ribeiro
Ilustração
Marta Madureira
Edição
Trinta por Uma Linha
28
págs., 12,50 euros
Mais um livro satírico à volta das hipocrisias
da sociedade e do mundo. Começa assim: “Embora ninguém lhe conheça a geografia,
há um país onde os homens e as mulheres têm orelhas de burro.” As fadas gémeas
do poder e da vaidade conseguiram seduzir um príncipe (onde é que eu já vi
isto?) e a fada da sabedoria pôs-lhe umas orelhas de burro. E passou a ser
considerado normal (e recomendável) ser igual ao príncipe. Mas há naquele país
um rapaz diferente, que de burro nada tem, nem as orelhas. Há-de perder a liberdade,
mas não a voz. O lançamento de O Rapaz
sem Orelhas de Burro está marcado
para esta tarde em Lisboa, às 16h, na Livraria Cabeçudos, no Parque das Nações
(Rua Comandante Cousteau, lote 4.04.01, Loja A). A obra será apresentada pelo
jornalista Fernando Alves. Livremente.